domingo, 14 de março de 2010

153 - Cavalgada no meio da tarde


Vou-me enfeitiçar de silêncio
Enquanto
Arde o girassol na lapela

17 comentários:

Assis Freitas disse...

Porque hoje é o dia da poesia, escolha um motivo para escrever. Cheiro de boas vindas.

“Por que você escreve?”.

“Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever!
Escrevo porque sou incapaz de fazer um trabalho normal, como as outras pessoas.
Escrevo porque quero ler livros como os que eu escrevo.
Escrevo porque sinto raiva de todos vocês, sinto raiva de todo mundo.
Escrevo porque adoro passar o dia sentado à mesa escrevendo.
Escrevo porque só consigo participar da vida real quando a modifico.
Escrevo porque adoro o cheiro do papel, da caneta e da tinta.
Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão.
Escrevo porque tenho medo de ser esquecido, porque gosto da glória e do interesse que a literatura traz.
Escrevo para ficar só. Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que eu sinto tanta, tanta raiva de todos vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo.
Escrevo porque gosto de ser lido.
Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim.
Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva.
Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira.
Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história.
Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como um sonho – nunca chego.
Escrevo porque jamais consegui ser feliz.
Escrevo para ser feliz”.

Orhan Pamuk

Primeira Pessoa disse...

imagem linda, a do girassol ardendo na lapela... um girassol que terminará em chamas?

putz, se eu soubesse pintar, hoje pintaria um gisrassol ardendo numa lapela.
como aquele flamboyant de jorge amado, que sangrou na primavera.

beijão do
roberto.

Jorge Pimenta disse...

Para quê esperar pelo dia 14 de Março para celebrar a poesia, quando temos 1001 poemas que a aspergem todos os dias?!

Um abraço com admiração!

P.S. Achei curiosa a data; tinha a ideia de que o Dia Internacional da Poesia fosse o 21 de Março; em Portugal assinala-se justamente aí.

Nydia Bonetti disse...

vivo enfeitiçada de silêncio
ainda assim não ardem
girassóis na janela
(tempo de chuva)

Boa semana, Assis! Abraço.

LauraAlberto disse...

Descobri-o no poema numero 153. Vou continuar até que se escreva o 1002!
Boa semana!
Lauraalberto

Moacy Cirne disse...

Ótimo...
E viva a Poesia,
todos os dias.

Um abraço.

Mai disse...

Não sei o que dizer.
beijo

[ rod ] ® disse...

És da poesia nata e respira esta devoção necessária para compor. Aprendi e não te deixo meu caro! Abs...

dade amorim disse...

Poesia sempre, todos os dias - mas hoje é dia de lembrar disso e viver o elo invisível que une os poetas e seus girassóis.

Beijo!

Gerana Damulakis disse...

Adorei este "Cavalgada no meio da tarde", inclusive o título. O poema do dia 13 também está ótimo.

Pamuk: vc já deve saber que sou fã.

Lara Amaral disse...

Bela imagem para um belo dia poético.

Beijos.

Boa semana!

NãoSouEuéaOutra disse...

Ser enfeitiçado pelo silêncio, é acordar!!!

nina rizzi disse...

muito, muito bom, assis.
eu fico tão feliz que seja um girassol na sua lapela. e o silêncio, por vezes é acolhedor, esse primo som.

beijobeijo.

Luiza M. Nogueira disse...

se enfeitiçar de silêncio para mim soou como: dançar com a vida! :) Lindo! Beijos

Lara Amaral disse...

"Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como um sonho – nunca chego."

Murilo Rafael disse...

Poeta Freitas:

Mais que prazeroso é visitar esse espaço, essa poética que muito me inspira. Que demorem dias para que se findem esses 1001 poemas e que permaneçam sempre "na tênue eternidade da poesia".

Um abraço,
mR.

J.F. de Souza disse...

me disfarço de
sumiço

e ninguém saberá