sábado, 13 de março de 2010

152 - Poema de puro tédio II

Ainda não nasceram os terríveis
Floresce pacifismo demais
As incorreções foram apagadas
Onde está o território da poesia
A palavra que toma de assalto
A dormência e quietude do verso

Ainda não nasceram os terríveis
Os herdeiros da pena mais bravia:
Baudelaire, Rimbaud, Maiakovski
O atrevimento e a ousadia do verbo
Sobrevive inútil obediência à forma
Quero antes o tumulto e o desespero

E sem soluço atormentar o improvável

6 comentários:

Assis Freitas disse...

Relutei muito em publicar este poema. Não sei exatamente explicar os motivos. Pareceu-me estranho a mim mesmo. Espero que vocês não concordem comigo. Cheiro aos bemvindos.

nina rizzi disse...

ainda bem que vc não relutou em "inútil obediência à forma", ou mesmo a si mesmo. é bárbaro, nem só porque vc cita meus três gurus (dentre outros e dentro de vc)...

sabe, um dia, eu vou fazer um poema que faça coisas impossíveis...

um cheiro, tá :)

Jorge Pimenta disse...

"Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos, brocas, máquinas rotativas!
Eia! eia! eia!
Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia, eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!
Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!

Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!

Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-lá! He-hô Ho-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!
Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!"
(excerto de "Ode Triunfal", de Álvaro de Campos

Lara Amaral disse...

Bom tormento, boa poesia, é o que sempre se encontra aqui =).

ErikaH Azzevedo disse...

Um tanto de revolta que tb não entendi muito.
Ainda mais por ser o poeta que és.
Talvez tentaste dar a ousadia ao verbo, desafiando-o na essencia.

ou seria por escrever e postar na vespera do dia nacional da poesia..hein, hein,,,dificil saber , só tu é que podes me dizer né!

Q curtas esse 14 de março como ele deve ser ..pelo nascimento de um conterraneo Nosso e tb grande poeta dos escravos e tb por ser hj o dia nacional da poesia, et u que trazes um ,uito de poesia aos meus dias eu não poderia deixar de vim celebrar esse dia contigo.

Um beijo, com carinho.

Erikah

Mai disse...

É que estás vivo em tanto querer e diante do tédio, a morte não dá nem um pio e se ela se cala, quem fala é poesia, e então fica assim, desafio e estranheza.
cheiro e abraço e uma lâmina d'água