sexta-feira, 26 de março de 2010

165 - Uma balada, uma canção

Se eu soubesse um pouco mais
Eu juro que daria de bom grado
Repartiria em pequenos fardos

Essas tormentas não são ao acaso
Vazam em vagas mal habitadas
Não somente nos pequenos versos

Em doses habituais de silêncio e pó
Que a tudo retorna, como mistério
Para mais um crepúsculo nesse cais

Se um soubesse um pouco mais
Eu teria mais idéias e menos certezas
E farejaria teu sexo sem essa gentileza

7 comentários:

Lou Vilela disse...

Afe! essa última estrofe já valeria o poema, o qual, diga-se de passagem, foi rastreado por um excelente faro! ;)


Beijos

Jorge Pimenta disse...

e se, em vez de sabermos um pouco mais, fôssemos capazes de nos desprendermos de tantas coisas que sabemos...

Um abraço, Assis!

Mai disse...

Saber é poder. Vida e morte se conjugam nos versos...E a linguagem ressuscita, nos salva e faz de um corpo uma canção, e tudo aquilo que mais quiser sentir é só imaginar.
Apurar os sentidos é saber-se capaz de, prá sempre, cativo dos cheiros, dos sons, texturas e dos sabores da língua e dos sonhos, imortalizar o que se ama.

Belíssimo este poema, Assis.


...
Agora sou eu com as minhas abobrinhas:
- muitas vezes quando te leio, Assis, é como se tu - dominando uma espécie de ectoplasma - transformasse o poema em algo tangível, palpável. Plasmar o desejo em um poema e numa espécie de efeito 'metafísico' dar-lhe forma, contorno, visibilidade a nós pobres mortais. "Nanotecnologia poética" (risos)

Sherazade adiou a morte
E aqui temos a promessa de mil e um poemas. Muita vida, poeta!
bjo

nina rizzi disse...

eu aceito como serenata. e não fosse a natureza, nunca mais ficava triste.

ai, esse último verso... como é apertaa uma virginade assim, que santiade, odoyá!

cheiro, meu rei.

dade amorim disse...

Sempre queremos saber mais, o que é ótimo.
Um dos melhores resultados disso é esse à vontade diante da vida.

Abraço pra você.

Zélia Guardiano disse...

Nada sei e gostaria de saber menos ainda...
Lindíssimos os seus versos!!!
Parabéns!
Um abraço...

Lara Amaral disse...

Puxa... é verdade... mas o que adentra às vezes são as incertezas, nas frestas que deixamos abertas quando em tristeza.

Abraço.