segunda-feira, 3 de maio de 2010

203 - cantiga romana

assim como a candura do vento
que me acha o cabelo
na balbúrdia das ruas

trazes o esquecimento das horas
como sonho e diário
para bordar minúcias

e cresces como visgo nesta pele
em que escrevo e rabisco
a palavra e o verso arisco

15 comentários:

Mai disse...

Bordar a pele com sonhos é tatuar-se de lembranças e, prá sempre, fazê-la existir.
Poesia que se tatua na candura dos versos.

Belo!

Everson Russo disse...

Bordar a pele,,,isso é lindo,,,toques sensiveis de amor ao descobrir a textura....abraços amigo e uma bela semana pra ti,

nina rizzi disse...

essa última estrofe me lembra um texto que escrevi sobre pegar as palavras de um homem e imprimi-las na parede e se esfregar nelas. já que ele, onde andará?

mas acho que não escrevi isso. eu sonhei. sonhei que pegava suas palavras e engolia pra ter o cheiro nos dentes.

isso sim eu escrevi. o nome daquele sujeito que me enche de ternura tanta que viro bola de sabão. e cio, que me enche de espumas na boca como uma cã no cio.

mas aí eu terminava:

o que não vi, foram suas mãos a braillar meu corpoema

(adesso a bisogno anche di te).

cheiros, camarada.

Maria Vieira disse...

ando correndo atrás da carruagem de apolo... tentando pegar tempo com a mão. ai já viu, consequência inversa: esqueço as horas. o ritmo de trabalho ta pesado, to tentando equilibrar, repensar...
que bonito esse poema, hein. sempre vejo o número e torço pra demorar a chegar o 1001.
beijo.

Wilson Torres Nanini disse...

Assis, mais uma vez é um prazer aprender contigo. Seu poemáximo me trouxe vento leve, levíssimo.

Quanto ao meu blog, tenho andado muito atarefado, mas logo volto a postar.

Forte abraço!

Lara Amaral disse...

Versos bem ao seu estilo encantador, Assis. Leio, releio e me embalo, adoro!

Fiquei toda prosa de me ver na lateral de seu blog. Um querido, vc.

Abraço.

Jorge Pimenta disse...

o tempo pode muito bem vir a perder-se no esquecimento. o sonho?... é impossível, pois vive bem acima dos ponteiros que acenam com o olvido como garante de uma apócrifa superioridade.
um abraço, Assis!

Lou Vilela disse...

Versos instigantes! ;)

beijos

Nydia Bonetti disse...

cantiga de fazer voar... :) bjo.

Gerana Damulakis disse...

"e cresces como visgo nesta pele
em que escrevo e rabisco
a palavra e o verso arisco": bom final, além da beleza do vocábulo "bordar" na outra estrofe.

Insana disse...

O amor é arisco. precisamos ter atenção para ele nçao escapar.

Bjs
Insana

Úrsula Avner disse...

linda e expressiva cantiga poética meu caro Assis... Obrigada pelo carinho de sua visita e comentário lá no Maria Clara. Grande abraço.

Matéria Escura disse...

feito gato q mia e lambe a cria.

pablorochapoesias.com disse...

Caríssimo Assis, seus versos são inspiradores. Quanto significado poético aplicáveis a uma infinidade de realidades distintas! Excelente!

Forte Abraço!

ErikaH Azzevedo disse...

Escrever a palavra na pele é vicio, a forma que encontramos de as perpe(ta)tuar...de fazer o q há de bom em nós prevalecer.

A cantiga é romana e o teu poema dança em mim.

Bjo

Erikah