quarta-feira, 19 de maio de 2010

219 - poema de algum fenecimento

caem-me da mão vestígios de muitos olhos
sobre os quais feneceram meus instantes
estou constantemente flechado por soslaios
arrebatado por iluminações breves e fúteis
ladeado por paredes sem frestas, sem respiro
somente neste transe quedo-me ao espelho

15 comentários:

Vanessa Souza Moraes disse...

caem-me da mão vestígios de muitos olhos

Guarda-se em um grande cemitério.

Mai disse...

É tão bonita quanto triste esta espécie de elegia. E o que se mata: o amor ou - de tanto amar - o amador?
Sabes o que realmente penso? Que somos de nós escravos, carrascos e algozes, de nosso próprio coração. Quem dera ter palavras de plasmar unguento, só prá lenir - do poeta - o coração...
Fenece não!?
cheiros de atiçar.

Joana Masen disse...

Encontro-me em transe nesse exato momemto. Bravo!

Lou Vilela disse...

É sempre prazeroso ressignificar teus versos com tantos outros olhos - olhos meus.

Beijos

Jorge Pimenta disse...

o encadeamento das imagens que bordas nos teus escritos levam-me a mundos que apenas a linguagem poética é capaz de abrir... um prazer ler-te, sempre.
um abraço, poeta!

nina rizzi disse...

assis, cheguei. meu pc pifou, tão novinho e já, feito as flores da noite, de maio. mas eu venho aqui. aqui feneço e te recito. como a tua palavra. e rio das outras também. e entendo essa coisa de breve e fútil, e mais ainda dos variegados olhos, aí que eu rio de novo das outras.

e eu ainda preciso de muito tempo pra me afogar de novo. adoro estar aqui, vc sabe.

cheiro. o cheiro por si só já é tudos, hm?

Marcantonio disse...

Poemas são cinzas de Fênix. Ignoro o sentido, embaralho os versos,para sortear dentre eles o mais bonito. Seria "estou constantemente flechado por soslaios"? Soslaio é palavra bonita e enigmática.

Abraços.

Lara Amaral disse...

Eu também, mas o seu é mais poético.

Cheiro.

Tânia regina Contreiras disse...

Iluminações fúteis....será? É que tudo o que é dito aqui abunda em sentidos, em rotas...nada é insignificante e tudo é belo.

Abraços,
Tânia

Luiza M. Nogueira disse...

Muitas vezes distorcemos a imagem do espelho. Que é de luz e sombra a vida, de fato. E o teu poema abriga muito mais.

Beijos.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Certas iluninações podem nos cegar...

Andrea de Godoy Neto disse...

"estou constantemente fechado por soslaios"

que riqueza poética, assis! a cada verso lido embarco num voo mais alto

abraço

Zélia Guardiano disse...

...ladeado por paredes sem frestas...
Ai, que imagem mais linda! Já vale por uma poesia. Cada verso teu é um poema completo...
Grande abraço.

Gerana Damulakis disse...

Muito bom, Assis. "quedo-me ao espelho" conferiu uma dramaticidade certa.

Isabella Nucci disse...

Excelente poema! vc é um artista :)