sábado, 22 de maio de 2010

222 - prosa para um solo de blues


toda morte em essência é renascimento
morremos para florir eternidades
seja no espaço de um abraço
seja nas sílabas da palavra
seja na carne do silêncio

21 comentários:

Primeira Pessoa disse...

rapaz, morte é um assunto meio assim... meio assado...
no afã de proteger os meus e pensando no futuro (e todo futuro é a morte!) fiz meu testamento no outro dia e foi um trem doloroso, medonho. envolve-se advogados na estória e um tanto ruim de emoções contraditórias no que você lê aquela listinha com sua derradeira vontade.

desde que li a versão final do documento, comecei e me sentir como se um pedaço grande de mim ja tivesse partido.

doido, né?

Zélia Guardiano disse...

Prosa linda e necessária, meu querido Assis...
Ainda que chamusque um pouquinho a alma...
Poema lindo!
Um abraço

Tânia regina Contreiras disse...

Morte é um tema muito íntimo para nós escorpianos. Gosto de olhá-lo sempre com poesia (quando não é possível, dói). E já guardei comigo essa pérola: morremos para florir eternidades!
Gostei muitíssimo, Assis...
Abraços

Lara Amaral disse...

Seu espaço aqui que nos renasce.

Abraço, poeta!

Elza Fraga disse...

Estou vindo dar a minha cheiradinha no seu tema de morte, rsrs.
E até a dita bendita você conseguiu tirar o peso, fazer leve e bonita!
A Zélia é que me deu a dica quando me visitou, disse que estávamos com o mesmo tema hoje,
vim conferir e achei a sua morte mais perfumosa que a minha, rs.
E poeta que consegue perfumar a morte é dos bons!
Bitokitas, poeta.

líria porto disse...

todas as noites, enquanto dormimos, ensaiamos a partida definitiva - devíamos ter-nos acostumado. lembrei-me deste poemeto:

desfecho
líria porto

tirana me aguarda
vestida de treva
a foice afiada

olho-a rio
desfio uma palha
acendo a cigarrilha

) não arrumei amá-la
que espere (

*


besossssssssssssssssss

Lou Vilela disse...

Assis, perfeito! Morre-se a cada instante: no choro, no riso, no gozo, no siso... entoando um blues. =)

Beijos

Mai disse...

É sempre curta a prosa que se faz nesses instantes em que se encara a morte ou ela a nós. É quando sentímo-nos visível um ao outro, que resta sentir um poema com cheiro de flor, sabor de abraço ou ouvir o som de um blues.
cheiros de silêncio

Vanessa Souza Moraes disse...

"...Nós, humanos, somos o único animal que sabe que vai morrer. E a nossa vida é atraveassada pela morte - física ou espiritual. Morrem-nos pessoas queridas, relações afetivas, e em cada uma dessas mortes morremos um pouco e transformamo-nos. Quanto mais conseguimos prolongar a vida, mais mortes experimentamos. Somos todos tocados por um sentido de orfandade cada vez mais presente. Por outro lado, procuramos desesperadamente esquecer a morte, que se tornou também uma banalidade - todos os dias recebemos notícias de milhares de mortos desconhecidos pelo mundo..." (Inês Pedrosa)

LauraAlberto disse...

e parece que cada vez somos mais especialistas em morrer
Beijos
Laura

nina rizzi disse...

assis, querido, obrigada por mais esse momento. o meu poema está guardado na agenda, a esperar a morte destes dias e nascer a segunda. eu acabo de vir de canindé. um crepúsculo tão lindo...

gostei sobretudo disso: "seja na carne do silêncio", é o que anda nascendo, parece.

cheiro de crisântemo procê ;)

Úrsula Avner disse...

Olá caro poeta, o que dizer sobre seus versos ? Lindos ! Tens o dom de poetizar com sensibilidade e na medida certa... Grande abraço e obrigada pelo carinho.

Mirze Souza disse...

Assis!

Fico tensa ao ver a numeração, no caso 222!?

Não nos permita ficar sem a sua sabedoria.

Belíssimo!

Aplausos!

Mirze

Andrea de Godoy Neto disse...

e só quem já morreu sabe que vale a pena...para renascer e florir eternidades...

belo, belo!

beijos, assis

Jorge Pimenta disse...

na tua poesia até a morte passa com os lábios desferindo sorrisos sinceros...
um abraço, poeta!

Marcantonio disse...

Florir eternidades. Sei o que é isso; todos aqueles que acompanham a sua poesia sabem.

Grande abraço.

NãoSouEuéaOutra disse...

que o abraço não mate, que a palavra não seja sílaba punhal, porque da carne já sabemos da não eternidade. mas vejamos, até ela é eterna. dentro de um caixão se evaporiza ao universo em partículas e átomos... - é complicado o que não sabemos, e o que muda e morre é sempre nós, a essência volatiliza-se sem nunca morrer... -

Gerana Damulakis disse...

Excelente!

Isabella disse...

Criativo e inspirador. Vc é um poeta genial!

ErikaH Azzevedo disse...

Morrer pra renascer....renascer pra morrer de novo,que importa.
Quero experimentar todos os meus renascimentos, romper placentas e rasgar uteros pela vida a fora, morte a dentro.

Bjos

...Erikah Azzevedo...

Aline Veingartner disse...

Genial sua ideia dos 1001 poemas!

E este aqui é incrível :-)