quarta-feira, 6 de outubro de 2010

359 - poema de inútil ventania

nada do que posso negar
cala-me mais fundo
do que esta inútil ventania

sempre ao despertar
quando recolho escombros
e ponho o rosto a secar

são tão súbitos segundos
de tão insistente naufrágio
que entorpecem em maresia

nada do que posso negar
mesmo a inútil ventania
se dissipa com mágoa e água

25 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

a ventania que percorre a luzir tua poesia Assis é fantástica! Beijo

Mai disse...

Como se recolher escombros enquanto sopram os ventos, ou secar o rosto enquanto a lágrima ainda faz o seu trajeto não fosse restar em poesia, te digo que há ventanias e há guardadores de vento.

cheiros

Everson Russo disse...

Ventania que incomoda a alma...abraços de bom dia.

Tania regina Contreiras disse...

Menino Assis, eu o leio e o entendo. Simplesmente...
Beijos,

Wanderley Elian Lima disse...

Nem sempre a água lava tudo.
Abração

Bípede Falante disse...

Que tradução brilhante desse aperto que de vez em quando a gente tem no peito.
bj

Zélia Guardiano disse...

Ah, Assis...
E pensar que eu esperava algo da ventania que sobre mim se anuncia...
Beijo, amigo Poeta!

LauraAlberto disse...

que vento é esse. que tudo leva e nada traz, atrás
Beijo
Laura

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

Sopra, sopra ventania
e leva da sua maresia
os naufrágios dos escombros
e inspira à água da vida
a cura das mágoas
que a ventania espelha.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 06/10/2010

Feeling what the other feels disse...

Sentir o peito apertado parece cotidiano. Mas detalhar assim, traduzir assim, só mesmo vc Assis. Mais um vez em seus versos me encontro, e levo-te.
Deixo um beijo meu'

Feeling what the other feels disse...

Sentir o peito apertado parece cotidiano. Mas detalhar assim, traduzir assim, só mesmo vc Assis. Mais um vez em seus versos me encontro, e levo-te.
Deixo um beijo meu'

Domingos Barroso disse...

um sabor de eternidade
sobreposto ao efêmero.

Camarada Assis,
forte abraço.

Gerana Damulakis disse...

Grande poema.

Oria Allyahan disse...

Fala serena, palavras duras, mas tranqüilas... poesia de fusões... pareceu-me profundissimamente triste...

Abração!

^^

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

"são tão súbitos segundos
de tão insistente naufrágio
que entorpecem em maresia..."

O mar também aqui nessa pluralidade, sempre me perturba, ventania esta que adentra e fica!

bjo...

Lau Milesi disse...

...sempre ao despertar
quando recolho escombros
e ponho o rosto a secar...

Nuitas vezes o recolher escombros é nessário.
Cria-se espaço para que a ventania possa trazer boas novas.

Muito lindo seu poema. Mas deu um aperto no coração... :(
Vá entender...as mulheres.
Um beijo, poeta Assis. Parabéns!!!

Lara Amaral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lara Amaral disse...

Ah, que lindo, poeta! O que me seca à face agora arde, mártires somos.

Primeira Pessoa disse...

zédeassis,
magoas passadas não movem moinhos de vento e água.

belo poema, as always!

abração,

r.

Jorge Pimenta disse...

há pequenas inutilidades que se tornam indispensáveis no equilíbrio bambo do ser. deixá-la deslizar, sem juízos, até se tornarem grandes e indispensáveis. como comer chocolate, espreitar o mar ou beber um copo de água fresca no jardim. têm uma vantagem relativamente às coisas canonicamente relevantes: são leves... não carregam em si o peso e a espessura do mundo...
um abraço!

Ingrid disse...

Assis, mais uma vez te ler é sentir e re-sentir ..
teho muitas ventanias,e voce as le.Mas suas palavras tem a forma forte e sublime.
um beijo.

Mirze Souza disse...

Assis!

Nem água, muito menos ventania, dissipa mágoa.

Inútil ventania mareja olhos de poeta!

Beleza de poema!

Beijo

Mirze

Marcantonio disse...

E o que podemos dissipar com a negação? Pouco, quase nada. Nem o medo do dia. Nem o esquivo desejo quando o supomos comandar com a mão no leme.

Imagino viver desses naufrágios súbitos que não remetem a nenhuma ilha; e que nem mesmo ocorrem em alto mar, mas no auto-mar.

Fico imaginando aqui qual teria sido deste poema o primeiro verso a lhe vir à cabeça.

Abração!

Ana Claudia disse...

ai, nada se dissipa...
água não lava vento.

Um abraço

ErikaH Azzevedo disse...

Ando te sentindo tão triste( a contar pelos 3 ultimos poemas).S
e o vento ao menos dissipasse a mágoa , a lágrima e a dor...
Te deixo um punhado de fé e de força...contra as pitadas de ausencia e desespero.

Um beijo

Erikah