sábado, 30 de outubro de 2010

383 - Sob a secreta linguagem da madrugada II

Era ainda alvo o caminho cego
A correr desatino de sal e ruas
Na fronte de tantos chamados
Louros os cabelos ao derredor
Com as luzes piscando atonitas
Nessa louca míriade de olhares

Tudo vinha em pedras e asfalto
Na pele luzidia dos automóveis
Nos deuses dançarinos do sinal
Na fileira dos cães da marquise
Entrelaçados nos cheiros do cio
Na vacancia de setas ou sentido

Na silhueta poética das sombras
Traçadas por espirais de fumaça
No coito ágil apressado no beco
O desatento balé dos transeuntes
Na calma onda do mar que sorve
As lágrimas desse tosco orgasmo

15 comentários:

Everson Russo disse...

A madrugada é sempre inspiradora e instigante, com suas cores opacas e suas escuridões inexplicaveis...abraços de bom sabado.

Gerana Damulakis disse...

Espetacular! A imagem do beco se formou na hora em que li aquele verso e, como já havia o embalo dos demais versos, a sensação foi incrível.

Ingrid disse...

Assis, a noite em versos teus me levam longe nos sons e cores.. e porque não,amores..
Beijos e bom sábado.

Lara Amaral disse...

Seus vários idiomas de fim de noite. Muito bom, Assis!

Beijo.

Mirze Souza disse...

Assis!

Só grandes poetas como voce, traduzem a linguagem secreta das madrugadas em alvo caminho cego.

E as lágrimas fazem parte dessa tsunami poética!

Beijos, Poeta 1000!

Mirze

Sandra Botelho disse...

perfeito...Um canto em versos.
bjos achocoaltados

Batom e poesias disse...

Transforma todos os atos e paisagens em poesia.
Dom abençoado!

bj
Rossana

Lau Milesi disse...

Lindo, Assis.Muito lindo! Sua poesia é de intenso lirismo.
..."Nessa louca miríades de olhares"...
... "na silhueta poética das sombras
Traçadas por espirais de fumaça"...
Interessante, consigo visualizar as cenas. D+! Parabéns!!


Beijo, poeta Assis.

Luiza Maciel Nogueira disse...

a poesia do tosco também merece mar :)

beijos

Úrsula Avner disse...

Olá poeta,

aí está uma apurada e sensível descrição poética do cotidiano nas cidades. Um abraço.

Marcantonio disse...

Sensacional. Um clima denso, inquietante. Tem algo de baudelairiano essa linguagem da madrugada, de "Crepúsculo da manhã" ou "Crepúsculo da Tarde".

Grande!

Abração!

dade amorim disse...

Visual e em movimento como um filme. Triste, triste.
Beijo pra você.

Everson Russo disse...

Um belo domingo, otimo feriado e otima semana pra ti amigo,,abraços.

Jorge Pimenta disse...

o (aparente) paradoxo do derradeiro verso acaba por adensar, ainda mais, a bruma espalhada pela mão que desenha o título. é que nem a metalinguagem da poesia resolve todos os mistérios que se escondem por detrás dos vestidos brancos das manhãs...
um abraço, assis!

Cris de Souza disse...

as suas metáforas são as mais elaboradas do pedaço.

sabe a quê veio, meu caro!