quarta-feira, 13 de outubro de 2010

366 - poema em oito movimentos sem captura

Passo a passo a imensidão
Desemboca no mar de algaravia
Caos de todos os sentidos

Surto de cores que assusta
A claridade que emana da alvenaria
E faz do silencio a tosca verdade

Passo a passo a imensidão
Deforma o labirinto da existência
Como um cão escava a terra

Como a larva consome a casca
E quer explodir em outra dimensão
Na ordem de uma ilusão predestinada

Passo a passo a imensidão
Produz os augúrios, os dissabores,
O ócio que corrói desde a raiz

Instaura o dilúvio que consome a terra
Com cinza e lava do mesmo Vesúvio
Que irrompe em primitivos ecos

Passo a passo a imensidão
Põe as interrogações em xeque
Precipita em faíscas todo este amanhã

Assombra as dobras de todos os olhares
E não oferece senão as desídias
Aos reis e rainhas neste inocente tabuleiro

20 comentários:

Everson Russo disse...

Imensidão, dimensão de alma,,,de coração,,,sentimentos que nos enlouquecem...abraços de bom dia.

Lau Milesi disse...

Mais uma pérola,poeta Asis. Título e versos, belíssimos. Como disse no comentário anterior, viajo nos seus poemas. São muito lindos.Esse , então, um brilhante e poético "chess". Parabéns!!!
Lembrei de um pensamento e deixo pra você: "Ideias ousadas são como peças de xadrez que se movem para a frente; podem ser comidas, mas podem começar um jogo vitorioso".
(Johan Wolfang von Goethe )
Um beijo

Lívia Azzi disse...

Ah, oito movimentos sem captura... Jogo tenso, hein?! Ainda bem que as interrogações estão em xeque.

Belo poema enxadrista!

Um beijo!

Ingrid disse...

Perfeito jogo Assis.
mais uma vez,seguro o folego até o último movimento.
beijo e boa semana curta.

Lídia Borges disse...

Oito jogadas ousadas e um xeque-mate feito de interrogações:

"Instaura o dilúvio que consome a terra
Com cinza e lava do mesmo Vesúvio
Que irrompe em primitivos ecos"

Apocalíptico!

L.B.

Domingos Barroso disse...

Analogias da alma
aos sentimentos
mais intensos
...

Extasiante poema.

Forte abraço,
camarada Assis.

Tania regina Contreiras disse...

O amanhã precipitado em faíscas...Eu quase o "vi" ao te ler, Assis...
Admirável fôlego e inesgotável fonte poética: que admiração tenho por ti!
Beijos,

Gerana Damulakis disse...

Um poema leva o leitor verso a verso. Muito bom, Assis.

Malu disse...

Muito bom mesmo ,
nos tira o fôlego ...



Bjo.

Feeling what the other feels disse...

A vida passo a passo, sempre põe em jogo, os sentimentos mais intensos. E é incrível que tudo dito em tuas palavras fica mais belo. Até em dúvida.
Deixo um beijo meu' e levo-te.

Zélia Guardiano disse...

Assis querido
Ante este poema eu me calo: deixo que um abraço bem apertado faça as vezes de comentário...[Minhas pobres palavras não dariam conta...]

Mulher na Polícia disse...

Parabéns pelo aniversári do seu blog Assis! 366 poemas! Que disciplina! rs rs rs

Tenho algo pra você lá no meu blog.
Beijos com carinho.
(ahhh, sim, e muito obrigada pela força lá no blog da Alane! Puxa... muito obrigada, mesmo! Fiquei super feliz por ver você lá!)

Mirze Souza disse...

Assis!

Oito movimentos ( infinitos)
Oito passos, segundos, minutos, ciclos.

Do passo à cor, ao labirinto, à ilusão, aos dissabores, ao dilúvio de todas as emoções.

Acabastes de dar um Xeque-Mate no imenso tabuleiro de xadrez da vida!

Fantástico!

Beijos

Mirze

dade amorim disse...

E que movimentos, e que palavras - que poema!
Beijo, Assis.

Maria Andrade disse...

do início ao fim, exclamação

Mai disse...

Imenso!
A imensidão na justaposição de um olhar. Somente um grande poeta em um poema grande assim, para falar de tudo que é imenso.
cheiro, Assis.

Marcantonio disse...

Assis, eu estou aqui pasmo, pasmo com esse poema! É um momento altissonante aqui no "Mil e um poemas"!


"Como a larva consome a casca
E quer explodir em outra dimensão
Na ordem de uma ilusão predestinada"

Parabéns!

Grande abraço.

Lara Amaral disse...

Movimentos incríveis seu poema cria. E o título é ótimo!

Beijinho.

Cris de Souza disse...

Plenamente capturada, essa evolução deixou-me boquiaberta.

Palmas pra você!

Jorge Pimenta disse...

definitivamente, há candeias que jamais deixarão de alumiar. mesmo que sem combustível, mesmo que sem combustão.
um abraço, assis!