sábado, 16 de outubro de 2010

369 - poema de arroio e lagarto

não sei o que dizer quando irrompes
em sentimentos liquidos e anseios
julgando a caligrafia dos meus lábios
por tantas linhas evasivas e solitárias

são tantas interrogações que me deixas
invocando-me um súbito luzir de estrelas
que me recolho aos olhares e soslaios
e deixo a chuva florir os teus desígnios

22 comentários:

Domingos Barroso disse...

Camarada Assis,
as palavras se abraçam
cada uma como se os lábios
delas (das palavras)
estivessem próximos
e entreabertos:

é uma música,
é uma música.

Forte abraço.

Flamarion Silva disse...

"não sei o que dizer quando irrompes
em sentimentos liquidos e anseios
julgando a caligrafia dos meus lábios
por tantas linhas evasivas e solitárias"

Que linguagem magnífica! Sutil, leve.
Parabéns.
Abraço.

Rafael disse...

Belas palavras, Assis, grande escrita.
Abraço

Zélia Guardiano disse...

Ah, Assis, esta sua incrível caligrafia, sempre a rebordar poemas...
Lindo demais!
Forte abraço

Í.ta** disse...

as metáforas que teus poemas permitem são das mais, meu caro.

parabéns.

abraços.

nina rizzi disse...

saudade da tua poesia, assis - música, a mais dionisíaca das artes, já parecia te ler nietzsche.

um beijo.

Everson Russo disse...

As muitas interrogaçoes do amor e dos caminhos que nele existem,,,abraços de bom sabado.

Mai disse...

Um veio d'água é uma festa no sertão, e qualquer aceno de chuva miúda na estiagem, já faz brotar canteiro esparsos de flor-menina no rasgado do chão. Grão de flor é semente e esperança. Quem sabe chove mais amanhã, e o arroio se ri; e o lagarto se banha...

(se poesia deságua, a culpa é sua)

cheiro

P.S.


Não sei se tocas algum instrumento, mas a música mora aí dentro.

Lau Milesi disse...

Gente, que isso. Quem não sabe o que dizer é a sua leitora aqui diante de sua criatividade e seu talento. "Um arroio de água pura, bento, lindíssimo, carregadinho de sensibilidade". Deixo uma chuva de elogios, poeta Assis.E flores...
Parabéns, poeta.

E.T. Mais um "surrupiado". :)

Beijo

Ingrid disse...

me deixando aqui, a degustar cada verso..
beijo.

Lara Amaral disse...

Nada como os vieses para se recorrer nessas horas.

Lindo poema!

Maria Paula Alvim disse...

Admiro muito a sutileza impregnada em todos os poemas que li aqui. Este, então, é para ler e reler ( pra ver se talento passa por osmose virtual rs)

Fred Caju disse...

Sempre a nos cativar com pequenas simplicidades.

Tania regina Contreiras disse...

Belo, belo e belo, Assis!
Beijos,

Mirze Souza disse...

Assis!

Somos matéria líquida! Deixe a chuva florir os desígnios.

Poeta, tem dias que ultrapassas as fronteiras da alma!

Beijos

Mirze

Gerana Damulakis disse...

Poema impecável! A segunda estrofe está tão arrebatadora que li 3 vezes.

Jorge Pimenta disse...

entre "não saberes" e "tantas interrogações", deixe-se a chuva pautar os contornos dos lábios que selam as mais finas linhas do corpo - aquelas que sabem luzir para além das estrelas.
abraço, poeta!

Ribeiro Pedreira disse...

não há o que dizer quando a poesia nos é solitariamente contundente.
abraços!

Lou Vilela disse...

Lindo, Assis!
Gosto de algo da Lispector que diz: "Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras."

Beijos

dade amorim disse...

Em vez de incompreender, deixar a chuva florir desígnios é de grande generosidade.

Beijo, Assim.

Daniela Delias disse...

Benditas (bem ditas)sejam as interrogações quando se transformam nesses versos!

noticias disse...

guaaa!! me encanta el blog, siempre encuentro poemas preciosos