sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

424 - a gloriosa e infausta balada de Mirna A.

Mirna A. tinha a pele cansada
Mas seu rosto de azul não,
Seus olhos verdejavam abril

Mirna A. cantarolava um soul
Arremessava saudades na areia
Seus pés fincavam outras eras

Mirna A. curtia poesia e cinema
Saía de Godard, Buñuel e Resnais
E ia para Piva, Cabral e Bandeira

Mirna A. sofria arrepios matinais
dizia: o inferno é quente no inverno
aliviava-se em chá e sutis oferendas

Mirna A. morreu em uma overdose
Sua garganta não mais engolia
Tanto rancor do nosso dia-a-dia

19 comentários:

Ira Buscacio disse...

Assis,

É msm difícil passar por esses dias, quando a alma é leve.

Bjsss

Wanderley Elian Lima disse...

Se não tomarmos cuidados, todos morrermos de overdose de desamor.
Abração

Mai disse...

A desventura é uma hera que não tem onde agarrar...
"...o rosto que se mira nos gastos espelhos da noite não é o mesmo..."
A inapetência de vida é overdose pra morte.
triste e belo

cheiro

Marinha disse...

Que texto forte!
Gostei muito de conhecer esse espaço.
Uma sexta-feira de paz.
Bjooo

Ingrid disse...

Sufocar pela vida estrangulada em tanto e mais..
fortes palavras poeta querido!
Grande beijo.

Zélia Guardiano disse...

Belíssimo, Assis!
Belíssimo!
Poema para pensar...
Grande abraço, querido!

Lara Amaral disse...

Narrativa poética intensa. Muito bom, meu caro.

Beijo!

Mirze Souza disse...

ASSIS!

Afeiçoei-me à Mirna A. Quem curte poesia, Godard, Piva, Cabral e Bandeira, precisa achar que o inferno é aqui. Um lugar cheio de rancor e inveja.

Existem muitas "mirnas".

Triste e real.

Beijos, poeta MIL!

Mirze

Pablo Rocha disse...

De arrepiar! Muito bom mesmo, Assis!

Abraços!

Ana SS disse...

Quem diria....em pleno dia se morre!

LauraAlberto disse...

gostava que a Mirna A. tivesse ainda seis vidas!
Abraço!
Laura

LauraAlberto disse...

muito forte este teu poema

Eurico disse...

Lembrei de um amigo, década de 1970, álcool, chifres, melancolia... cirrose. Pode ser tudo en outra ordem, mas o fim foi a morte.

Com ele aprendi violão, (era guitarrista dos bons, o Jarbas, Deus o tenha) e a "só gostar de quem gosta de mim", pra não morrer de amor não correspondido...

Texto arretado! como se diz por aqui. Uma balada digna dos grandes poetas.

Abraço.

Fernand's disse...

mirna a. não era daqui...


bom fds, querido.

Everson Russo disse...

Fortissimo esse rancor do dia a dia...abraços de bom sabado.

Primeira Pessoa disse...

zédiassis...
mirna a é uma puta crônica, cara. roberto drummond fazia uns trem assim, meio capetosos.

tô aqui, de joelhos, procurando meu queixo que caiu debaixo do sofá.

beijão,

r.

Lau Milesi disse...

Genial!Concordo com o seu leitor Primeira Pessoa.
Tadinha da Mina A, "deve" estar cansada de ser perturbada por outra "Mina CM", c de "chatérrima" e m de "mocréia" .
"Overdose" de implicância também mata.

Beijo

Lau Milesi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lau Milesi disse...

Ihiii... desculpe poeta, troquei a sua "Mirna A", com a "Mina" da Brasília amarela, a do docinho de côco, a dos Mamonas Assassinas.
Sorry, foi o sono.
Beijo