quinta-feira, 8 de setembro de 2011

700 - repente para nomeada de gravatás na trovoada

encilho o pretérito na dobra da vereda
atravesso de espinho a espinho
dou-me lamina de pele para cortá-los
e se me sangro mais
nem a palavra há de estancar

recolho as visagens de tantos preás
de tocaia para parco passarinho
dobram-se as asas, não o canto
vergam os olhos na altiva alvorada

o menino ficou na rede da varanda
alvoroçado de alumbramentos
com água nos olhos de inundação
e as mãos sedentas de te possuir

encilho o pretérito na dobra da vereda
atravesso de espinho a espinho
dou-me flagelo de exasperar
no passo mais mineral do descaminho
não há palavra que me salve da ruína

17 comentários:

Everson Russo disse...

Entrega aos espinhos para cultivar a dor...abraços de bom dia.

MIRZE disse...

Poxa, ASSIS! 700!!!!!!

O passarinho não dobrou o canto. Por quem o canto dobra?

Maravilhoso!

Beijo

Mirze

Zélia Guardiano disse...

Setecentos, Assis! Setecentos!!!
Cada um mais lindo que o outro...
Bravo!
Abraço entremeado de parabéns...

dani carrara disse...

e tudo sai pelas palavras a dentro.

beijão.

Batom e poesias disse...

Você não perde o lirismo.

Tem o frescor dos primeiros!
Lindo!

Bjs, poeta.
Rossana

Reflexo em Coisas de Mulher disse...

Passando pra conhecer, ler , me encantar e aproveito para convida-lo para passar la no blog
e deixar sua impressão
sobre o assunto exposto. Será excitante saber o que pensa.
Bjins entre sonhos e delírios

M.C.L.M disse...

"e se me sangro mais
nem a palavra há de estancar..."

Tua poesia sangra em mim, é ferida aberta de contentamento...

bj.

Menina Marota disse...

1001 poema é mágico, sim.
E já vai em mais de metade do caminho... já subiu à montanha, agora é a descer.... ao calor da Terra e a magia cumpre-se.

Celso Mendes disse...

não há ruína que apague tuas palavras, meu caro. é só procurá-las no encilhado pretérito.

grande abraço.

Jorge Pimenta disse...

"não há palavra que me salve da ruína". mas nomeá-la, aproxima-nos fatalmente do seu exorcismo, poeta.
abraço!

Bípede Falante disse...

700!!! Nossa! 700!!!! :)
Parabéns :)
beijoss

Cris de Souza disse...

E a magia permanece desde o primeiro som...

Beijo, mestre!

Welliton Oliveira disse...

Só faltam 301.

Welliton Oliveira disse...

Só faltam 301.

Vais disse...

Assis, lindo demais este repente do 700
'encilho o pretérito na dobra da vereda'
e o repente arisco do 701, arrepiante

Parabéns moço e que venham mais os 300

beijo e tudo de bom

Ingrid disse...

nos teus 700 poemas um brinde ás tuas "trovoadas " que nos enlevam sempre..
beijos perfumados.

dade amorim disse...

Esses mil e um não demoram a sair, e eu quero o livro! ;)