quarta-feira, 21 de setembro de 2011

713 - antipoema para sertão, denodo e afinco

dou-me fé de palavra, dou-me batismo
todos os dias perambulo desconcertado
para florir na concretude de caracteres
só assim me vazam esses horizontes
só assim espinhos me dão existência

dou-me fé de palavra, dou-me batismo
o barro da ribeira, a moita, o burburinho
me escapam silentes versos em lagarto
assim me chegam inverno e trovoadas
assim me deliram os olhos embaçados

9 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Menino Assis, eu vejo flores em você...vejo flores no asfalto e na concretude das crateras: tudo, tudo, quando te leio.
Um belo dia pra ti, que me cede os versos com que faço, muitas vezes, a minha oração matinal!
Beijos,

Celso Mendes disse...

há uma poesia imensa neste antipoema.

só faço aplaudir.

abraço!

ediney disse...

Rogo a São Camões que me dê essa fé e esse batismo na palavra e nos seus santificados pecados

Everson Russo disse...

Existe uma força e uma intensidade nesse poema...abraços e bom dia pra ti.

MIRZE disse...

Grande!

Embaçam-nos os olhos do batismo às trovoadas. Deliro!

Beijo

Mirze

Luiza Maciel Nogueira disse...

antipoema, poema, sonata, poesia, é incrível como toda palavra tua chega ao êxtase. Beijos Assis!

Jorge Pimenta disse...

nenhuma poesia é mais verdadeira do que aquela que procura rejeitar-se. assim é o homem, também.
um abraço com denodo e afinco!

Marcantonio disse...

Com certeza essa palavra fidedigna o transcende, essa pia de batismo respinga e unge nossos particulares sertões.

Como ser tão poético? Se um poeta pode fazer antipoemas, pode um antipoeta fazer poemas?

Grande abraço!

Bípede Falante disse...

A alma também se fecha e se refaz e desfaz...
beijoss