quinta-feira, 29 de setembro de 2011

721 - cantiga para estrada do nunca mais

oh meu azul de ontem e sempre
minha lágrima quase seca
oh meu embornal de retirante
meu ser insistente de louco pária

são ainda os pés que me conduzem
são de girassóis as minhas estrelas

oh meu azul de ontem e sempre
minha conserva de carne seca
oh meu jaleco de couro arrancado
minhas ranhuras na sola da alma

são dos espinhos que foge a falange
são de nós a dor, o travo, o engasgo

14 comentários:

Angélica Lins disse...

E logo eu, apaixonada por girassóis, os vi transformados em estrelas em teu poema.

Lindas letras...

nina rizzi disse...

eu adoro estas palavras: lágrima, embornal, sola, pária, trago e engasgo. como num dialeto desconhecido ou acabado: apenas pelo som, anterior a tudo.

um beijo.

MIRZE disse...

BELO DEMAIS!

"minhas ranhuras na sola da alma

são dos espinhos que foge a falange
são de nós a dor, o travo, o engasgo"

Mestre! Parabéns!

Beijo

Mirze

Celso Mendes disse...

sempre se tenta fazer da dor o nunca mais, mas a estrada só se conhece ao nela se pisar. de outras, só lembrança.

muito bom, como sempre!

abraço.

Lau Milesi disse...

Sua cantiga é ge-ni-al!
É linda!!!
Uma obra-prima!
Merece uma moldura. :)

Um beijo e um "bravoooo", poeta Assis.

Analuz disse...

adorei os vocativos poéticos... só tu mesmo, poeta Assis!

beijinho de fã!

Primeira Pessoa disse...

um poemaço, zé de assis.

engasgo, engulo em seco e sigo, levando poema e poeta dentro do meu embornal.

beijo grande do

roberto.

Sandra Botelho disse...

belo...Aplausos. Bjos achocolatados

Ingrid disse...

engasgo e continuo..
beijos de carinho sempre..

Luiza disse...

Ai Assis quando li o título fiquei com um medo de ler, pelo" nunca mais", mas quando li azul já me acalmei, certas cores tem essas forças. Beijos

Cris de Souza disse...

" são de girassóis as minhas estrelas... "

eis a grandeza!

dade amorim disse...

tuas estrelas de girassóis dizem tudo...

Jorge Pimenta disse...

que as estradas se fechem no seu próprio ciclo; que delas, em tons de azul, os pés renasçam. o asfalto não é o que pisamos, mas tudo quanto nos move.
abraço!

Daniela Delias disse...

Engasgo tbém...
Bjos!