domingo, 15 de agosto de 2010

307 - Improviso para punhal e nostalgia II

para que continuemos estranhos
não vamos nos permitir a saudade

entremos por aquela porta que se ergue
como uma escada para as montanhas

e assim, sós, possamos divisar
o horizonte que não habitamos

e todos os distantes rios que ainda
deveremos naufragar as nossas ânsias

20 comentários:

Marcantonio disse...

Rapaz, como se a nostalgia se estendesse para as duas pontas do tempo. A simplicidade de uma imagem pode ser reveladora! A idéia de um horizonte inabitável é perfeita para definir um ideal jamais alcançado, e essas ânsias naufragadas.

Abração

Everson Russo disse...

Nessa vida é impossivel nao nos permitir saudade,,,ela vem e faz a nossa náu, que já esta à deriva,,naufragar...abraços de otima semana.

Luiza Maciel Nogueira disse...

naufragar os dias num pote de vidro sem saudade nem lembranças. Ah, que linda poesia Assis!

bjs

Maria Vieira disse...

um cavaleiro a batalhar contra moinhos de vento... contra o inevitável.

Maria Vieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniela Delias disse...

Permita-me o trocadilho:
"em Assis, nós possamos divisar
o horizonte que não habitamos...". Bjos de fã.

Mirze Souza disse...

Para que continuemos estranhos, naufraguemos!

Assis! Capricho de nostalgia num domingo!

Beijos

Mirze

Zélia Guardiano disse...

Não vamos nos permitir a saudade...
Ah, Assis, que esperto você é: a saudade é o começo de tudo que não deve ser... Ai!
Abração, amigo, neste domingo ensolarado por aqui...

Tania regina Contreiras disse...

Você me faz pensar na intimidade que a saudade cria, Assis, é bem verdade. É como se a ausência sentida se fizesse ponte. Belo poema...
Beijo,

Domingos Barroso disse...

Assis, meu camarada:
uma amorosa sugestão de convivência
com a solidão das próprias
lembranças.

Forte abraço.

Gerana Damulakis disse...

Belo poema, Assis.

Eder Asa disse...

E que assim seja!

Poeta, hoje conheci o trabalho de uma conterrânea sua, Carol Pereyr, parece um roxinol cantando e, rapaz, me pergunto se todo mundo desse terra é talentoso assim.

Abraços...

dade amorim disse...

Belo poema, lindas imagens.

Beijo pra você.

Sílc disse...

Coisa boa foi poder passear por essa linda Casa. Obrigada. Através da Nydia, me sinto privilegiada, uma neném aprendiz. Estou aprendendo a 'me' perceber através das palavras Poeta Assis. Sou toda saudade, naufrago na nostalgia por inteira e nunca desisto em ousar novos horizontes. Encantadora Casa que voltarei sempre. Se desejar, com toda humildade, pode passear pela minha também!
Com amor e carinho de uma aprendiz,
Sílvia
http://www.silviacostardi.com/

Anônimo disse...

porra, macho, ando tão aristotélica que dá não, visse...

n.

nina rizzi disse...

nossa, mas é tão lindo isso, assis, que dá até vontade de morrer na caverna, por mais inseguro que seja.

beijos.

Lara Amaral disse...

Tudo o que ainda há de ser
na sua poesia banha-nos
realiza-nos.

Beijo, poeta dos sonhos.

Jorge Pimenta disse...

a estética de um não ter que faz sofrer; numa mesma linha, a do ter que... faz igualmente sofrer.
robertílimo dizia, lá no primeiríssima pessoa, e a propósito dos mineiros "gente estranha, esta"; pois, este bem querer e nada ser não escolhe nacionalidade ou pátria; é condição da fronteira humana.
antónio variações, poeta e músico incompreendido que apenas viu o seu mérito reconhecido depois da morte (foi o primeiro caso de morte com SIDA em portugal) tinha um refrão que rezava assim: "eu estou bem aonde não estou e só quero ir aonde não vou" :)
um abraço!

Andrea de Godoy Neto disse...

Assis, essa descrição é perfeita e o poema de uma beleza que dói...

esse horizonte que não habitamos é como a constante presença de uma ausência

um beijo

Mai disse...

Perfeito!
Belíssimo! Vou guardar isto prá mim. posso?

cheiros