sexta-feira, 27 de agosto de 2010

319 - fantasia para menestrel que perdeu os olhos pelo amor da donzela de fulva cabeleira


para te sonhar relâmpagos
recito madrigais
deito sobre tertúlias

recordo a noite
de corcéis ancestrais

improviso o desalinho
na frágil tez dos cristais

ali, onde bailam cataventos
e o último sol ressurge nas águas

23 comentários:

Angélica Lins disse...

Apenas uma palavra : INEFÁVEL

Tania regina Contreiras disse...

Resgato uma palavra já tão em desuso, mas, acho, tão bonita e expressa tanto: galante! És gracioso, galante nesses tão belos versos, que fala, veja só, da tez dos critais: lindo, Assis!

Tania regina Contreiras disse...

Resgato uma palavra já tão em desuso, mas, acho, tão bonita e expressa tanto: galante! És gracioso, galante nesses tão belos versos, que fala, veja só, da tez dos critais: lindo, Assis!

Everson Russo disse...

Que esse ultimo sol seja o amor da donzela...abraços de bom final de semana.

Mai disse...

Teu poema mescla delicadeza e atrapalho, devoção e alumbramento.
O amor e a beleza, as vezes, faz a gente se atraplhar. Mas você nunca haverá de se perder com as palavras ou com as loiras.

E você abusou, inventou a delicadeza master, revelando-nos a "tez dos cristais"

Há dias em que tua poesia me salva. cheiros, muitos.

Daniela Delias disse...

Relâmpagos de pura delicadeza acordam as donzelas que vivem em algum lugar da gente ao ler teus versos...lindo, Assis! Mtos bjos!

Mirze Souza disse...

Assis!

Do título, que já é um verso em beleza ágil, à cada verso do poema, toda sensibilidade!

"Até o último sol ressurgindo nas águas"!

Divino!

Beijos, poeta!

Mirze

Jorge Pimenta disse...

na cascata verbal do texto descortina-se algumas das mesuras que estão associadas ao código da arte de cortejar: sonhar, recitar, deitar, recordar, improvisar... quem és tu, trovador? flautista de hamelin? encantador de cataventos? ou a derradeira réstia de sol sobre as águas? (nota final subtil que levanta a dúvida sobre a consumação efectiva do ritual).
um abraço, poeta!

Jorge Pimenta disse...

na cascata verbal do texto descortina-se algumas das mesuras que estão associadas ao código da arte de cortejar: sonhar, recitar, deitar, recordar, improvisar... quem és tu, trovador? flautista de hamelin? encantador de cataventos? ou a derradeira réstia de sol sobre as águas? (nota final subtil que levanta a dúvida sobre a consumação efectiva do ritual).
um abraço, poeta!

Feeling what the other feels disse...

Que versos mais lindos Assis!Sinto borboletas no estômago...rs. Ler-te é uma delícia!

Gerana Damulakis disse...

Uma fantasia realmente. E que bela fantasia, o sol ressurgindo nas águas.

Batom e poesias disse...

Assis, cada palavra dos teus poemas são carregadinhas de lirismo.
Tornam-se mágicas pela sua caneta "de condão".
Bjs

Rossana

Luiza Maciel Nogueira disse...

maravilhoso, as flores, o luar, os cataventos tudo se alinha nessa paisagem divina

beijos

Eder Asa disse...

tão cênico (veja bem, cênico, não cínico)rsrs
E dá contade de dançar... AHAHA'

Sou fã!

Cris de Souza disse...

Presumo que os deuses te ditam...

Su-bli-me!

Beijos, Assis.

Lara Amaral disse...

Quando te leio, sinto que vc é de um tempo antigo, ou de uma era que ainda não veio... espero que venha.

Lívia Azzi disse...

Fantasia que desperta a compreensão lírica desse intenso abismo do amor!

Um beijo!

Ribeiro Pedreira disse...

"o poeta contorna precipícios
é difícil esquecer o rosto dela
Eurídice vagando pelo hades
Rita enigmática na janela

tocando à musa numa flauta de pedra
na escuridão o poeta a conduz
nos precipícios, teatro da queda
respiram nesgas de corpos nus"

(Roberval Pereyr)

Não sei qual a ligação do teu poema com este do Pereyr, mas algo me remeteu a ele (talvez seja alguma semelhança entre a tua poética à dele).

Abraço!

Em@ disse...

Gostei muito , Assis.
Imagens muito fortes.
beijo

Zélia Guardiano disse...

Assis, meu querido
Tanta lindeza nestes versos, que eu, via de regra já inábil para comentários, venho de novo com o chavão: Show!
Abraço bem apertado!

Oria Allyahan disse...

Que belo o seu poema! De uma suavidade e singeleza q nem sei como explicar! E de que adiantaria? Melhor mesmo eh sentir!

Parabéns, Assis!

Roberval Pereyr, grande homem!
Um eruditíssimo!

Um abraço!

^^

Andrea de Godoy Neto disse...

Assis, arrebataste-me aqui:
"para te sonhar relâmpagos
recito madrigais"

vou degustar essas palavras imagens
beijo

Álly Ferreira disse...

Concordo com as palavras da Lara:

"Quando te leio, sinto que vc é de um tempo antigo, ou de uma era que ainda não veio..."

é uma reticência inefável de enlevo

=)