sábado, 21 de agosto de 2010

313 - Improviso para adagas noturnas

Abranda-me de minhas penas
Sê-de nuvem para esse silêncio
Entrega-me o gentil da tua voz
Fecunda-me de lágrimas o peito
Torna-me ribeirinho da tua foz

E quando dos meus desejos, tu
Não quiseres saciar ou dirimir
Cobre-me de funda melancolia
Deixa-me fenecer em reticência
Invoca a tempestade do sem fim

19 comentários:

Everson Russo disse...

Muito forte e intenso essa tempestade do sem fim,,,bem perto do amor, ou da falta dele...abraços de bom sabado.

Fred Caju disse...

Seus títulos sempre impressionam-me. Um dos que mais gostei, confesso.

Tania regina Contreiras disse...

Tornar-me ribeirinho da tua foz: lindo! Vai ficando difícil escolher entre os mais belos, os mais arrebatadores poemas teus. O de ontem foi tudo de bom e de belo...mas me vens hoje com este - quero todos os 313 e vou seguindo até o mil e um um...:-)
Beijos,

Lara Amaral disse...

Quem sustenta os olhos da melancolia sabe a dor e delícia de se viver com ela.

Jorge Pimenta disse...

senti as adagas cravarem-se no meu dorso, assis, oh, se senti... é a sina da tempestade sem fim...
um abraço, poeta!

Vanessa Souza Moraes disse...

Deixa-me fenecer em reticência

Tenho uma certa ambivalência em relação às reticências.

Eurico disse...

Tornar-se ribeirinho em uma foz...
Essa é a mais amorosa entrega que já li em um só verso.
Só a poesia é capaz de conter uma imagem tão rara.

Parabéns!

Abraço.

Lívia Azzi disse...

Essa oscilação entre desejo e melancolia pode ser uma entrega a momentos únicos de exclusiva introspecção que acalentam a alma!

Um beijo!

Mai disse...

Lindo e necessário como a água que se bebe em imensa sede, como um abraço que acolhe e contém.
Toda mulher anseia tal poema.
Sem par!

cheiros

Gerana Damulakis disse...

Tem um tom de oração, de prece, encantador.

Em@ disse...

A melancolia pode (também) ser doce, ou não...gostei muito do poema, cheio de imagens que são uma Bleza.
esta é a minha preferida : "Deixa-me fenecer em reticência "
beijo, Assis.

Mirze Souza disse...

Assis!

Um poema para colocar num pedestal, ou num altar, ou num papiro.

Tamanha beleza que parte de um apelo:
"Sê-de nuvem.... torna-me ribeirinho da tua foz"

De matar! Forte e belo. Belíssimo!

Beijos

Mirze

nydia bonetti disse...

sem palavras... suspiro. :) beijo, assis!

Daniela Delias disse...

Um verso mais lindo do que o outro, se é que isso parece possível...bjos, mtos.

Eder Asa disse...

Doído (e doido, porque não?)

E esse título, hãn? Já é um poema...

Abraço, poeta!

Luiza Maciel Nogueira disse...

:) divino teu canto poético Assis

as tempestades sem fins são necessárias para a vida se movimentar cada vez mais

bjs

Cris de Souza disse...

Parece-me um mantra...

Elevadíssimo!

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

"Abranda-me de minhas penas
Sê-de nuvem para esse silêncio
Entrega-me o gentil da tua voz
Fecunda-me de lágrimas o peito
Torna-me ribeirinho da tua foz..."

Isso é poesia de gente grande!

Um beijo, um abraço, um segurar de mãos...

Andrea de Godoy Neto disse...

Assis, estava com saudades dos teus versos...e começo justo por estes,que são puro enlevo!

e esta tempestade do sem fim aguça meus sentidos...talvez porque eu goste tanto de tempestades

beijo