quarta-feira, 25 de agosto de 2010

317 - soneto torto para quando me vires chegar

talvez seja sábado ou domingo
e do resto do dia reste apenas burburinho
talvez estejas alinhavando as pálpebras
para quando eu chegar desavisado

talvez no outdoor contenha a resposta
depois de tanta ausência e tormenta
e se eu não trouxer nada nas mãos
não afugentes os pássaros que se acercam

são eles o cicio das tortas incoerências
o visgo da voz que trago no pranto
são eles as veredas que se encontram

a revoada do impossível cataclismo
feito tu e eu emplumados
contra o movediço branco da página


*
A amiga Leonor me presenteou com a publicação de um poema, confiram em
http://leonorcordeiro.blogspot.com/

19 comentários:

Everson Russo disse...

Que esse branco da pagina ainda caibam muitos e muitos versos...abraços e bom dia .

nina rizzi disse...

eu posso ouvir, e beber, cada uma dessas letras, assis, enquanto espero uma chegada quase impossível ouvindo os pássaros presos, os que voam e as folhas e o mar, bem aqui. que coisa mais linda, menino.

e agora faz mais sentido o último verso do 316.

um beijo.

Luiza Maciel Nogueira disse...

o branco da página em que tudo pode ser possível e tudo vale um beijo no papel do sonho.

soneto maravilhoso, comovente, emociona :)

beijo

Feeling what the other feels disse...

Infinitas idéias, frases, verso e prosa para o branco das páginas de Assis. Continue nos saudando diariamente com seu dom de escrever bem. Tenha um ótimo dia.

Joana Masen disse...

Em cada página em branco uma história. Pouco importa quando ou como, o que vale é a chegada.
Bjo!

Jorge Pimenta disse...

num pântano de dúvidas ("talvez") a derradeira certeza está na convicção com que se renova os afectos, mesmo que num cicio tímido trazido nas asas frágeis de aves esquivas.
impossível resistir, assis!
um forte abraço!

Lara Amaral disse...

Uma chegada que não passa despercebida.

Beijo.

Zélia Guardiano disse...

"Contra o movediço branco da página"..
Que verso mais lindo!
Demais, como tudo mais...
Abraço

Sandra Botelho disse...

Um soneto escrito com o coração.
Bjos achocoaltados

Lídia Borges disse...

Soneto torto? Não, um soneto ao amor com pássaros dentro.

Gostei muito.

L.B.

Daniela Delias disse...

"Talvez estejas alinhavando as pálpebras...". Fiquei do lado de cá repetindo esse verso...me pegou desavisada...ah, lindo, lindo...

Mirze Souza disse...

Belíssimo, Assis!

Amo o "torto" e este soneto contém imagens significantes!

Os Pássaros:
Ciclo das tortas incoerências.
Visgo da voz que trago no pranto.

Algo assim, quase divino!

Bravíssimo!

Beijos

Mirze

Gerana Damulakis disse...

Nada de torto, muito bem realizado.

Eder Asa disse...

Ficou tão "janela" (que seja janela torta, entre-aberta...) - Dá pra ver tudo daqui.

Quando li 'soneto' realmente achei iria ver rimas de Assis (sou tarado por rimas) mas não foi, de maneira alguma, decepcionante, vale a pena cada verso rs

Abraço, Assis!

Eder Asa disse...

Ficou tão "janela" (que seja janela torta, entre-aberta...) - Dá pra ver tudo daqui.

Quando li 'soneto' realmente achei iria ver rimas de Assis (sou tarado por rimas) mas não foi, de maneira alguma, decepcionante, vale a pena cada verso rs

Abraço, Assis!

Tania regina Contreiras disse...

... se eu não trouxer nada nas mãos
não afugentes os pássaros que se acercam...
Já trazes nas mãos o poema, Assis. Belo, belo, belo, belo...
Beijos

Oria Allyahan disse...

"talvez estejas alinhavando as pálpebras"... belíssimo verso, como todo o soneto! Sonetíssimo!!

Um abraço! ^^

Mai disse...

Há poemas teus que prefiro sentir e sentir e mastigar cada palavra, torta ou reta, desde que seja tua.

cheiros

Álly Ferreira disse...

Ler essas coisas que vc escreve é foda!

=)))