quarta-feira, 18 de agosto de 2010

310 - Modinha para prosa em beira de rio

                                       
  p/Roberto Lima

Palavras deambulam na varanda da infância
Embalando na rede tantos anzóis e pescaria
Sendo sereno que goteja imagens no infinito
E pondo incêndio na retina de tantas páginas

Nesse sem tempo vão se sobrepondo colheitas
Colorindo de primas e donas meses de outono
Invadindo espaços e nas estâncias escondidas
Do sempiterno verão, flamejam nuvens de azul

Aqui e ali caem do céu saudades em desalinho
Que vão sendo bordadas com as tais minúcias
De mãos que sabem domar rebelde torvelinho
E dar posse de reino no território das astúcias

22 comentários:

Everson Russo disse...

Um céu sempre nos traz saudades de momentos vividos ou sonhados...abraços de bom dia.

Mai disse...

O amor é sempiterno e, na beira de um rio, a prosa com lembranças de infância é puro amor pelas origens. Sensível como é, o Roberto certamente se emocionará com esta bela homenagem.
Coisa boa de guardar, Assis, minúcias de minas pescando um coração.

Belo!

Macaires disse...

E desse texto emana o calor do sempiterno verão!

Um beijo!

Marcantonio disse...

A sua poesia alcança momentos altíssimos, estratosféricos, como nesse poema, essa afluência de imagens na tela verbal para compor um retrato-paisagem espiritual. E você, que tão sabiamente dispersa as rimas, as convoca aqui na estrofe final como que para fazer todo o poema ecoar longamente. Grande momento, Assis.

Fico de olho para ver o que o homenageado vai dizer. Rs.

Abração, poeta!

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Assis,
Homenagear é uma das formas mais lindas de dizer carinhos...
E a prosa dessa modinha deve ser à beira do Rio Doce, doce rio onde o homenageado perambulou sua infância, "embalando na rede de tantos anzóis e pescaria..."
É por essas e outras que venho sempre aqui sem titubear, poeta da Feira sempre farta...

Abraço mineiro,
Pedro Ramúcio.

Lua Nova disse...

Disseste-me... "não sei o que dizer sobre a morte"... sobre a morte não há muito o que se diga...
Entretanto, falas dos tempos idos e de saudades com a maestria das grandes almas.
Obrigada pela solidariedade.
Beijos.

Tania regina Contreiras disse...

Que beleza, Assis, absolutamente belo, imagens arrebatadoras e, sim, tanto a ver (ouso dizer) com o semblante nostalgicamente terno do homenageado...
Abraços,

Cris de Souza disse...

Essa modinha é de revirar os olhinhos...

Beijos, maestro!

Luiza Maciel Nogueira disse...

já imaginei um barco no mar, um pescador, por trás uma horta cheia de frutos e ervas, algumas árvores...um chuvisco de folhas, o céu com nuvens azuis e uma chuvinha molhando os olhos de quem vê Assis esse belíssimo cenário criado por ti. Imaginei a mulher ao lado do pescador a bordar no barco, mas aí já é demais né.


Bjs!

Daniela Delias disse...

Que interessante, Assis...conheci há pouquinhos dias o Roberto aqui na rede, e o teu poema chega tão perto das minhas primeiras imagens acerca dele! Há algo de ternura, como disse a Tania, e aquele olhar de quem tem muita história boa pra contar! Fiquei particularmente tocada com o primeiro verso!Lindo, lindo poema. Bjão!

Domingos Barroso disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Domingos Barroso disse...

Sabe, meu camarada Assis:
sinto e velejo ao embalo
de cada sílaba e verso.

Forte abraço.

nina rizzi disse...

assis, eu estava a esperar um poema desses pro roberto lima, que não é nem o chaveiro da avenida nossa senhora de copacabana e nem o dono da imobiliária do meu prédio: é o cronista poeta, é amigo re-encontrado.

roberto, olha, isso é que nem beijo no coração, visse ;) rsrsrs...

beijo, lindo.

Mirze Souza disse...

Linda modinha, Assis!

Vinícius gostaria, se vivo fosse de colocar em pauta.

Roberto merece esta "posse de reino no território das astúcias".

Bravo, poeta!

Beijos

Mirze

leonorcordeiro disse...

Assis,
Guardo da minha infância um tesouro chamado Rio Verde.
Esse rio que fica no estado do Mato Grosso,encantou o meu pai que fez dele o seu lugar preferido para viver e morrer.
Morreu pescando em sua margem 15 anos após desbravar aquelas matas e mergulhar em suas águas límpidas.
Fiz muitos versos na minha adolescência relembrando meus passeios e pescarias. Juntei tudo num livrinho chamado RIOLEMBRANDO.
Agora encontro você e a sua modinha para prosa em beira de rio...
Delícia...
AMEI!!!
bjs!!!

Primeira Pessoa disse...

assis,
estou em trânsito, num aeroporto, esperando um segundo vôo.
entrei rapidamente numa destas lojas cyber pra enviar um email pro jornal pra umas recomendações urgentissimas (coisas que na pressa da viagem esqueci de definir), e vi um email da tania me falando de seu poema.
putz... nem tive tempo de respondê-la, porque ja chamaram meu voo e tenho que, literalmente, voar.

corri ate aqui pra te ler, sob pena de perder o avião. cara, emocionei-me demais, assis. caramba, virei muso...rs

prometo responder direitinho, tão logo eu tenha acesso a internet outra vez.

sim, estou em trânsito.

muito mais do que isto, estou em transe.

se eu estivesse aí, agora, te lascava um beijo.

sinta-se beijado, meu irmão.

esse lisonjeado amigo seu,

o roberto.

Lara Amaral disse...

Que métrica, que força, que doçura! Tão bonito poema escrito por uma pessoa linda a outra pessoa linda. Todos queridos do meu core!

Beijos nos dois.

Lídia Borges disse...

Uma chuva de "saudades em desalinho"
é uma imagem poética sublime!

L.B.

Jorge Pimenta disse...

só me ocorre uma palavra para depor neste bordado de linha e agulha que vocês, assis e roberto, a todos cosem com ambas as mãos nesta viagem cibernética: ternura.
é, na verdade, enternecedora a homenagem, o poema, os poetas, mas, sobretudo, os amigos que ensinam a cronos a lição da eternidade!
um abraço, poetas amigos!

Andrea de Godoy Neto disse...

Assis, especialmente bela esta modinha, doce, com o leve ruído do rio que passa.
Mas, mais do que isso, é um retrato...se fechar meus olhos, nas tuas palavras posso enxergar cada traço desta pessoa tão singular que é o roberto

encontro de gigantes este...do que escreve e do que é retratado.

beijo grande, poeta!

Gerana Damulakis disse...

Uma beleza esta modinha para prosa em beira de rio.

Rejane Martins disse...

prosa para libertadores
...felizmente ainda não perdi a infância, sorrio e me emociono com teus versos!
há que se registrar:
totalmente desfalcados estaremos frente-a-frente na quarta :) será um dos raros dias em que estaremos em lados opostos, tem coisas que só o esporte faz - vê-lo de frente também não é nada mal :)