terça-feira, 3 de agosto de 2010

295 - Epitáfio em forma de testamento

nos últimos tempos a vida morre mais depressa,
a sombra da melancolia não cessa
e paira em cada gesto uma despedida anunciada

o sol excomunga seus reflexos no vazio
quando o atalho dos dias faz intempérie na alma
a intermitente febre anuncia a estrada de espinhos

deixo que as carícias do vento soprem as faíscas
e espero a bifurcação do horizonte no coração partido

12 comentários:

Everson Russo disse...

O tempo que temos é implacavel,,,ele nos foge como vento,,,abraços amigo e uma bela terça.

Mirze Souza disse...

Belíssimo, Assis!

A vida pode morrer, mas seus poemas serão eternos.

Um forte abraço!

Mirze

Mai disse...

Mas seja como for (contrário à tudo), a vida segue, e depois do após restarão olhos sobre a lápide e as flores. Mas ironicamente, prematura ou anciã, aos precavidos e aos amantes, - "a morte é a prova de que se viveu".

Você me fez pensar no espólio imaterial dos amantes.

um abraço e um sorriso

Tania regina Contreiras disse...

Tristeza também anuncia a beleza, Assis...Gestos que anunciam despedidas, parece que sim, também o sente a minha alma. Gosto muito de ler seus poemas. Iluminam compartimentos escuros, dá nomes a sentimentos esboçados..
abraços,
Tânia

Zélia Guardiano disse...

Lindo de doer o peito, querido Assis!
E tens toda razão: nos últimos tempos a vida morre mais depressa: estamos sempre nos despedindo, lançando um último olhar, dando´o derradeiro aceno... Ai...
Abraço, poeta-mor...

Beatriz disse...

um belo poema esse. gostei.

Luiza disse...

Lindíssimo...
Beijinho com carinho

***

Lara Amaral disse...

Às vezes o vento também faz das faíscas fogo.

Beijo, poeta.

Luiza Maciel Nogueira disse...

a tristeza também pode ser contemplada

bjs!

Jorge Pimenta disse...

li o texto assim que o postaste e fiquei agarrado, em silêncio, ao eco que ressoava nos meus ouvidos. não consegui comentá-lo, então, como não consigo agora. para quê banalizar uma obra-prima, caro assis? prefiro polilê-lo em silêncio.
um abraço!
p.s. a ideia do horizonte que se bifurca para poder suportar o coração bicéfalo (porque partido) é genial!

Gerana Damulakis disse...

Quanta verdade em poesia.

Lau Milesi disse...

Belíssimo ! Faço coro com seu leitor Jorge Pimenta. Quando um poema nos toca a alma, só o silêncio e os suspiros (que acabei de dar). Parabéns!!!

Um abraço, poeta.

E.T. Obrigada por seu generoso comentário.Imagine, me senti a "poetisa" (às favas com o feminismo linguístico).[rs] Sugiro na minha réplica que você acrescente mais 1001 poemas à sua proposta. Seus leitores agradecerão, tenho certeza.